Porque “nenhuma vida humana é boa se não aceitarmos a morte” (Luc Ferry)

 

No dia em que eu morrer…

 

O sol brilhará radiante, e seus raios deixarão todas as cores desse jardim em perfeita harmonia.

Os pássaros cantarão lindamente, e declamarão a mais bela poesia.

 

As árvores me acolherão, e me confortarão em seus traços e braços.

E essa grama – verde ouro – resplandecerá, raios emitirá e desfará os últimos laços.

 

No dia em que eu morrer…

 

Liberdade, libertação, felicidade, emancipação, posso dar qualquer nome.

Durmo, sumo, apago, fluo, não sinto mais ânsia, angústia, e nem mais essa fome.

 

Silêncio, quietude, sossego, repouso, imensidão, calma, alma, paz.

Remanso, tranquilidade, nirvana, serenidade, nada mais, tanto faz.

 

No dia em que eu morrer…

 

Terra, fogo, água, ar, como virão me buscar, pra onde irão me levar, isso pouco importará.

Vermelho, azul, verde, laranja, roxo, amarelo, preto, branco, todo tipo de cor me comportará.

 

A dança fluirá, e rodopiarei, e rodarei, saltarei, ei, e ei, e ei, ei, num ressalto infinito.

E as flores sorrirão, e desabrocharão, e se comungarão, e se espalharão pelo alto mais bonito.

 

No dia em que eu morrer…

 

As luzes se apagarão pra sempre, com o vento soprando bem forte.

E um temporal, com muitos raios e trovões, limpará qualquer resquício de morte.

 

O alto mar avançará, e me levará para dentro de seu mistério.

E então, deixarei de vez esse corpo, em paz, no cemitério.

 

No dia em que eu morrer.